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Mostrando postagens de agosto, 2012

Vida Fictícia

Homens dizem que o corpo é importante Anjos dizem que a alma é eterna Então digo que nada quero Digo que não mereço o céu e nem o inferno Digo que viver, não pode ser bom E que morrer às vezes não é a melhor solução Digo que a alma se corrompe Digo que o corpo apodrece Mas digo também que nada possuo Não contemplai as idéias que digo Pois estou sendo movida pelo sofrimento As palavras de lamento ficam soltas no vento A humanidade tem um futuro O paraíso é intocável e eterno Mas permaneço estática no tempo Se tudo que digo fosse verdade Então nada que vivo, seria realidade Sofrer pelo inexistente E compreender a fantasia Nada mais faz sentido Não sei mais o que é vida.

Dúvidas

Por que não disse que o amava Quando ele ainda estava aqui? Por que não parei o tempo Para vivenciar nossos momentos? Por que fiquei com medo Quando deveria ter coragem? Por que não consigo esquecê-lo Se ele só me destruiu? Por que quando navego em meus pensamentos Ele é a única coisa que está neles? Por que ainda o amo se ele me odiava? Grito ao céus para dar fim A tal sofrimento Corto os sentimentos na esperança De amenizar a dor Choro, com fé de que tudo Escoe com as lágrimas Pergunto-me por que viver não é fácil? A morte, no entanto, é algo simples? Só, Frio e Escuridão Não há magoa na morte Afiada faca atravessa as camadas de pele Chegando ao Coração Matando assim aquilo Que me fez sofrer durante a vida Final singelo para tanta dor.                                     

Segredos

O silêncio cala a noite, A sombra esconde o mau, A lua permanece calma no céu Um instante parado no tempo. Voz   presa pelo nó, A garganta seca e amarga, Consciência violenta atormenta o ambiente, Linhas costuram lábios traidores. Vontade da verdade de se abrir, Palavras circulam pelas veias, Como veneno, chegam ao coração. O saber esconde-se em algum lugar, Incertezas da novidade perigosa, Rabiscos rápidos para aliviar o Novo conhecimento. Intransmissível, incomparável e inconstante, Sussurro vem das lembranças, “Não conte à ninguém”, Prezo para esquecer o que agora sei.                                       

Sensações

Um suspiro ao luar O ar corta a fina pele Os galhos das arvores agitam-se violentamente A penumbra dificulta   a visão Sons de passos ecoam pela noite O cimento afunda diante dos pés O sangue escorre pela calçada O sereno acumula-se sobre o corpo: A vida por um fio A lua ilumina a drástica cena Os gritos agridem os ouvidos imaculados A rua permanece com medo Dura realidade, A morte Pecado perigoso, uma dor constante Vida esvazia-se esta noite.                              por Nicole Fanti Siniscalchi

Temperamental

Vento transtornado açoita as velas, Ondas enfurecidas batem no casco, As madeiras rangem expressando a dor, Navio perdido dentro de uma tempestade de emoções. Correntes marinhas o guiam na escuridão, A lua está encoberta pela densa nevoa, Estrela escondida perante a tempestade, Movimento das águas confunde a tripulação. A fé de que a neblina suma É a única coisa que os mantém firmes, Gotas frias de água invadem o convés. A corda corta a pele, A água salgada limpa o sangue, Mas fica a marca profunda, Será que um dia acabará essa tormenta? Quando a dor agonizante chega ao fim Raios de Sol clareiam A tempestade, enfim, termina Restando agora a tranqüilidade do mar.                      por Nicole Fanti Siniscalchi  

Julieta sem Romeu

"Pergunto-me como olhar para os meus  e ver nos túmulos da sociedade  Toda a escória desta vida   Os retratos de uma família   Que há anos se dissipa e multiplica  As rosas jogadas no tempo   As dores atravessadas no peito  Pela flecha buscasse algo  Não apenas o alvo  Há séculos a espada fere a carne  O sangue banha a nossa terra  Tudo o que nos resta a final  É um espaço mortal   no qual ficaremos a eternidade  Vendo os meus lutarem com os seus  Por algo que já se perdeu  Rezo para que vejam nos céus   Que a dor da raça não cura a desgraça  Tudo tem seu final   Não se prenda no banal  Pois algum dia irá ver   O que mais temo  Toda a nossa his...