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Palavras de Sangue

Algema arranha a pele dos pulsos Saudade da antiga Ousadia De correr livremente dentre as ideias As ondas e retas, e seus valores As mãos presas no papel Glorificando apenas o belo Corcel Ao longe vejo os vales e rios E eu trancafiado nesse mesmo espaço Com a fé, mudo a virgula e  Tento representar sua sina Porém meu desejo falho Vai pelo ralo junto com sangue Tirado pela força da verdade Além da impunidade do Rei O povo vai e vem Procurando além Para mudar toda a Lei Em busca da ordem Trazem a morte E num futuro presente Guardo na mente    A doce liberdade Que um dia escreverei

Cegueira Sentimental

Você já viu a morte de perto? Já sentiu a mais plena dor? Já chorou sem saber o motivo? Já quis que tudo chegasse ao fim? Não!  Você apenas ficou Parado no momento estático no espaço sem ação ou movimento Quiz dar tempo ao tempo Mas não quiz esperar um instante Sofreu em silêncio Ouvindo o meu sofrimento Correu, fugindo da própria sombra Deu voltas no mundo mas mesmo assim não viu A miséria por qual passo A tristeza que me consome A amargura que me corrompe e humanidade que te falta... E agora já não mudara nada apenas podera ver  o que a sua ignorância ofuscou a dor de toda uma população...

Em Poucos , o Tudo!

A tempestade apaga minhas pegadas Perdida encontro-me Longe de casa Saudade do Conforto Do calor do lar Na rua, o frio Sentada no tempo Vida se perde na megalópole Destrói-se a humanidade Homens pensadores ou Simples robôs sem sentimentos? Pessoas transformadas em animais Milhões de mortes estampados Nos olhos inocentes Que só agora aprendem sobre a Sociedade Em busca da salvação No meio da multidão Palavras sábias, devastadas pela civilização Por um mero momento, perdido no cimento Jóia rara se constrói A esperança de uma nova vida

Vida Fictícia

Homens dizem que o corpo é importante Anjos dizem que a alma é eterna Então digo que nada quero Digo que não mereço o céu e nem o inferno Digo que viver, não pode ser bom E que morrer às vezes não é a melhor solução Digo que a alma se corrompe Digo que o corpo apodrece Mas digo também que nada possuo Não contemplai as idéias que digo Pois estou sendo movida pelo sofrimento As palavras de lamento ficam soltas no vento A humanidade tem um futuro O paraíso é intocável e eterno Mas permaneço estática no tempo Se tudo que digo fosse verdade Então nada que vivo, seria realidade Sofrer pelo inexistente E compreender a fantasia Nada mais faz sentido Não sei mais o que é vida.

Dúvidas

Por que não disse que o amava Quando ele ainda estava aqui? Por que não parei o tempo Para vivenciar nossos momentos? Por que fiquei com medo Quando deveria ter coragem? Por que não consigo esquecê-lo Se ele só me destruiu? Por que quando navego em meus pensamentos Ele é a única coisa que está neles? Por que ainda o amo se ele me odiava? Grito ao céus para dar fim A tal sofrimento Corto os sentimentos na esperança De amenizar a dor Choro, com fé de que tudo Escoe com as lágrimas Pergunto-me por que viver não é fácil? A morte, no entanto, é algo simples? Só, Frio e Escuridão Não há magoa na morte Afiada faca atravessa as camadas de pele Chegando ao Coração Matando assim aquilo Que me fez sofrer durante a vida Final singelo para tanta dor.                                     

Segredos

O silêncio cala a noite, A sombra esconde o mau, A lua permanece calma no céu Um instante parado no tempo. Voz   presa pelo nó, A garganta seca e amarga, Consciência violenta atormenta o ambiente, Linhas costuram lábios traidores. Vontade da verdade de se abrir, Palavras circulam pelas veias, Como veneno, chegam ao coração. O saber esconde-se em algum lugar, Incertezas da novidade perigosa, Rabiscos rápidos para aliviar o Novo conhecimento. Intransmissível, incomparável e inconstante, Sussurro vem das lembranças, “Não conte à ninguém”, Prezo para esquecer o que agora sei.                                       

Sensações

Um suspiro ao luar O ar corta a fina pele Os galhos das arvores agitam-se violentamente A penumbra dificulta   a visão Sons de passos ecoam pela noite O cimento afunda diante dos pés O sangue escorre pela calçada O sereno acumula-se sobre o corpo: A vida por um fio A lua ilumina a drástica cena Os gritos agridem os ouvidos imaculados A rua permanece com medo Dura realidade, A morte Pecado perigoso, uma dor constante Vida esvazia-se esta noite.                              por Nicole Fanti Siniscalchi

Temperamental

Vento transtornado açoita as velas, Ondas enfurecidas batem no casco, As madeiras rangem expressando a dor, Navio perdido dentro de uma tempestade de emoções. Correntes marinhas o guiam na escuridão, A lua está encoberta pela densa nevoa, Estrela escondida perante a tempestade, Movimento das águas confunde a tripulação. A fé de que a neblina suma É a única coisa que os mantém firmes, Gotas frias de água invadem o convés. A corda corta a pele, A água salgada limpa o sangue, Mas fica a marca profunda, Será que um dia acabará essa tormenta? Quando a dor agonizante chega ao fim Raios de Sol clareiam A tempestade, enfim, termina Restando agora a tranqüilidade do mar.                      por Nicole Fanti Siniscalchi  

Julieta sem Romeu

"Pergunto-me como olhar para os meus  e ver nos túmulos da sociedade  Toda a escória desta vida   Os retratos de uma família   Que há anos se dissipa e multiplica  As rosas jogadas no tempo   As dores atravessadas no peito  Pela flecha buscasse algo  Não apenas o alvo  Há séculos a espada fere a carne  O sangue banha a nossa terra  Tudo o que nos resta a final  É um espaço mortal   no qual ficaremos a eternidade  Vendo os meus lutarem com os seus  Por algo que já se perdeu  Rezo para que vejam nos céus   Que a dor da raça não cura a desgraça  Tudo tem seu final   Não se prenda no banal  Pois algum dia irá ver   O que mais temo  Toda a nossa his...